Paquidermes planejam festas

Chuva torrencial lá fora. Estrada ensolarada dentro da minha cabeça.

As crianças estão dormindo.

O silêncio é maior na sala do que ao redor da panela de pipoca.

Amigos distantes com problemas próximos. Ei, eu só quero te ajudar.

Quero ler um beatnik e acender um cigarro sentado no chão da porta do clube de jazz. Quero ver Charlie Parker entrar.

Chuva torrencial lá fora e brotam magnólias em tudo que vejo.

Em algum lugar da cidade alguém gritou de pavor.

A possibilidade disso ter acontecido é imensa. Há baratas, vermes. ratos, pocilgas e espelhos.

O sol ronda a sombra e nunca a invadirá.

O sol é tudo, mas isso não.

Nem tudo é possível aos deuses mais visíveis.

Deuses não visitam o passado. Deuses moram no passado.

Deuses nas sarjetas e nas esquinas caídos de bêbados.

São tantos os deuses bêbados e brigões e então para que serve o egoísmo de um?

Para a dor, o medo, o frio e a claustrofobia no deserto.

Parem a dor, o medo, o frio e a claustrofobia no deserto.
A solidão não percebe você próximo de si.

Hoje quero menos sons.

Hoje quero sonhar.

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