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O duro inverno de 1933 não passaria em branco na cabeça de Tasaku Okamura. Seria sua última estação fria antes de embarcar para o Brasil com toda a família. A filha mais velha, Tamy, não entendia muito bem as explicações do professor do vilarejo de Sunagawa, 200 km o norte de Sapporo, capital de Hokkaido. O professor dizia - O Brasil é muito longe, Tamy-chan - ela olhava pela janela da escola o topo da montanha de Pineshiri e pensava - Será mais longe que aquilo?

A colheita da pequena lavoura de Tasaku e sua família mal dava para o sustento da casa. Os mensageiros da capital diziam que o Imperador pedia paciência e perseverança aos súditos e que as vitórias do Grande Império trariam muita riqueza a todos.

Mas não há paciência que dure ao ver as crianças com os olhos da fome.

Enquanto o Imperio gastava e armava-se contra os chineses e russos e unia-se ao Eixo, o povo japonês de norte a sul passava fome. Muita fome. Isso fica evidente ao observarmos que durante a grande imigração japonesa ao Brasil do começo do século XX, as famílias são oriundas de todo o arquipélago, de Okinawa a Hokkaido.

Alguns poucos vizinhos de Tasaku foram para o Brasil e diziam que voltariam assim que juntassem bastante dinheiro para comprarem terras melhores ao sul ou algumas reses para criarem vacas leiteiras, as boas vacas leiteiras do extremo norte do Japão.

Tasaku não entendia muito de vacas e laticínios, mas era um bom homem e muito trabalhador. Seu cunhado Uichi também iria ao Brasil.

Tasaku sabia que com toda a família e um parceiro como Uichi, tudo daria certo.

No dia 27 de maio de 1933, há exatamente 78 anos e 5 dias, meu bisavô Tasaku e esposa com 4 filhos, sogra e cunhado, pisavam pela primeira vez em terras brasileiras, no porto de Santos.

Ao desembarcar do Africa Maru, ele - e principalmente minha trisavó Hina - não imaginavam que hoje seríamos quase 100 descendentes, entre filhos, netos, bisnetos e trinetos.

Logo vai nascer o pequeno Gabriel, filho da minha prima Cristiane e do Daniel, mais um sangue-bom da 4a. geração dos imigrantes de Hokkaido.

E eu aqui, do Japão, na origem de tudo que fui, sou e serei, faço valer a vontade de meu bisavô de que tudo iria dar certo. E deu.





E dará.





(Agradecimento especial ao meu primo Sueki Yoshida, pela pesquisa e memória de elefante)

3 comentários:

Bem disse...

Já leu "O Súdito" do Jorge J. Okubaro?

Taty disse...

Amei demais :)

cristihatada disse...

Lindo! Amei também! Vou guardar para mostrar para o Gabriel quando ele estiver crescido! Besos!