Atitude ou Eu quero é mais


Em frente ao mercado, cinco e tantas da tarde, hora de rush e aperto nesses lugares porque todo mundo sai do serviço e vai buscar o jantar.

Este mercado tem dois estacionamentos e o outro, um pouco mais afastado, está sempre vazio e claro, ninguém vai lá porque tem que andar uns 50 metros, que seja.

Só há uma porta de entrada - a da foto - e quando cheguei, tinha esse carrão azul (B) embicado na porta. Achei estranho, todo mundo achou.

Japoneses são zelosos quanto à ordem, aos lugares das coisas, ainda mais em estacionamentos. Ou não.

Ao aproximar-se para entrar, vê-se o motivo.

O carro B é de cadeirante. Na traseira, no canto direito, há um selo circular com um trevo. Isso indica alguma deficiência física, menos cego, claro.

O carro azul menor (A) parou em uma vaga com uma enorme cadeira de rodas (padrão internacional) desenhada no chão. Somando-se os dois estacionamentos desse mercado, são quase 100 vagas e há apenas essa para deficientes.

E a dona - depois eu vi - teve a manha de estacionar ali porque dá de cara com a porta, esperta.

Imagino que essa gente pense assim "Entro, pego, pago e saio em três minutos. Cinco, se muito. Claro que não vai aparecer um manquinho".

O carro ao lado, prateado, está numa vaga para idosos. Não sei se realmente era um carro de idoso.

Mas o carro pequeno, fui na traseira conferir (bendita e pútrida curiosidade) e não havia nenhum selo.

Quando entrei para as verduras e o queijo - no fim acabei levando + pão + água meio com jeito de Gatorade + bacon, porra, quem resiste a um mercado? - vi o velhinho de cadeira de rodas escolhendo tofu com um amigo de andador.

Fui pegando minhas coisas e depois os encontrei nas bebidas onde eles enchiam a cesta no colo do cadeirante com muitas latinhas pilsen. Gostei da dupla e da estratégia de atalhos para não passarem aperto nas compras. O cadeirante acompanha o andador para carregar a cesta. O andador dirige o carro. O cadeirante vai atrás, pois geralmente esse modelos especiais têm uma rampa na porta lateral para cadeiras de roda. Meras suposições.

Passei no caixa, paguei e saí.

A saida fica ali do lado onde supostamente teria um carro C.

Passei em frente ao carro novamente (maldita e deveras pútrida curiosidade) e lá estava a dona do carro A colocando as compras e as crianças com uma constrangedora pressa de quem fez uma cagadinha:
"Merda! O manquinho veio! O manquinho veio!"

3 comentários:

rnt disse...

e, mais uma vez: porra, quem resiste a um mercado?!
:)

MINHO PC disse...

NEY
E eu que pensava que, este ATO e FATO eram coisas de brasileiro ou latino americano,querendo sempre usar e abusar da "LEI DE GERSON", e levar sempre vantagem em cima dos outros. Não importando-se com as dificuldades que os verdadeiros deficientes físicos tenham que passar no dia a dia para realizarem suas necessidades.
Um abraço
JAIME CELESTINO

Nei kS disse...

Não, caro Minho. Gente é gente, não importa qual passaporte.