Poesia Binária no vão do X

Se você acha que a poesia existe só para publicar em blog, te enganaram, ela é anterior a isso.

É anterior a você, é anterior a mim.

Qualquer poesia está muito acima da cabeça de um poético cosmonauta russo de planetas azuis.

Essa poesia aqui que nem parece ser muito poética e é apenas a versão mais simples do que poderia ser muito mais elaborado do que ela tenta explicar.

E nem todo o infinito seria tão lindo se não fosse lírico. O infinito lírico chama-se enternidade. E a eternidade para a poesia é só mais um papel rasgado.

A cada três minutos alguém escreve uma poesia no mundo.

A cada cinco minutos uma poesia some no vácuo do lixo.

A cada hora aproveita-se uma boa idéia.

Por dia lançam três livros curtos de poetas a serem descobertos.

No tempo do mimeógrafo eram muitos pela noite disputando vaga nas mesas entre rosas e mímicos desgraçados. Nesses dias os blogs substituiram toda graça do ar cansado, do papo furado, do frio e da garoa.

Os poetas dos anos dois mil são poetas do seu próprio quarto, numa missão vanguarda do receptáculo mínimo múltiplo incomum de jamais sorrir para fora como Emily Dickinson.

Mas ela podia.

Poeta triste é poeta burro sem amor.

Vão aos bares, brothers & sisters.

Em média, lemos duas poesias por mês.

Em geral, elas estão escritas em encartes de cds.

Por isso quem gosta de jazz alfabetizou-se em outra coisa mais abstrata.

Se tem uma coisa que sobra nesse mundo é poeta.

Explica-se porque a maioria desiste antes dos vinte.

Alguns sobrevivem até os trinta.

Poucos merecem os quarenta.

Totalmente errados estão os que chegarão aos cinquenta.

Bons mesmo são os que alcançam a imortalidade nas bocas, ruas, dos bêbados, das putas.

E alçam voo numa página amarelada.

Pulo: céu.

Um comentário:

Walkyria Rennó Suleiman disse...

pulo.....céus e abismos são irmãos