A gente acha o que os outros também - sobre as versões



I
Diz a lenda que o Tarantino escreveu o roteiro vendeu por uma merreca, os produtores jogaram na mão do Oliver Stone, o Tarantino achou uma merda e falou que não queria o nome nos créditos. Desde então, um monte de gente vem dizendo que Natural Born Killers é ruim.
Não é.
O Oliver Stone às vezes é, mas nessa ele acertou a mão.
Pode ser que se o Tarantino fizesse, ficasse melhor. Vai saber.
A cena do casal central chapado de cogumelo no meio do deserto tocando Sweet Jane do Lou Reed na versão do Cowboys Junkies, é magistral.
Ninguém faria melhor porque eram aqueles dois atores naquela noite com aquela equipe ao redor.
Cinema, arte são circunstanciais.
Também podem dizer que é uma glamourização do crime, da violência cheap do final do século XX.
Esse é um outro assunto e um bom argumento.
Todo mundo sabe que com Tarantino, são barris e barris de sangue.
Prefiro sangue e violência na ficção que no quarteirão.
II
Tem a lenda que o Alan Moore também não quis o nome nos créditos do V de Vingança por causa daquele final chantili - para ele.
O gran finale no gibi é diferente.
Nele, Evey fica no lugar do V.
No filme, espalham máscaras de V por Londres.
De fato, Evey ficar com todo legado e a missão depois da morte de V, é mais dramático.
Milhares de Vs pelas ruas, porém, é cinematográfico.
Na verdade, o ato final de V na versão hq é a explosão do Parlamento.
Ninguém no estúdio ia assumir essa cena do filme.
III
Todo mundo fala que Godard é um gênio e mudou o rumo do cinema.
Eu fui assistir e dormi.
Preto no branco, preto e branco, Fellini é muito superior.
Fellini é eterno, Godard, não.
Cinema, arte são circunstanciais.
Amanhã ou depois, assisto o mesmo filme do francês e acho uma obra prima e Fellini, um chato.
Mas essas coisas geralmente ficam na primeira impressão.
IV
Eu tenho a teoria dos 4 minutos com relação a qualquer filme.
Os 4 minutos iniciais, sejam com crédito, introdução, preâmbulo, abertura, narração, não importa, esses minutos são os que te dizem se o filme é legal, divertido, ruim ou muito ruim.

Filme brasileiro com tema, música incidental e trilha sonora no piano pra mim é ruim.
Principalmente se ficar nítido que aquele tema não é apenas para piano e sim um arranjo para orquestra, mas como ficaram sem verba para os músicos, maestro e gravação, usam só a gravação do piano mesmo.
A não ser que o arranjo seja para piano e então nos entendemos.

Geralmente, contratam o compositor, ele grava a composição e manda pro diretor aprovar, aprovado, a grana daquilo vira sanduba para a técnica porque o orçamento estourou.
Erros administrativos.
Posso estar errado e podem dizer que falar é fácil.
Falar é fácil mesmo. Pra mim é mais fácil escrever.
Eu sei que cinema é complicado. Mas não dá pra ser simplista e fútil.
Cinema é sagrado. Pra quem assiste, tem que ser uma oração.
V
Aquelas cenas com câmera parada mostrando um objeto de uma casa enquanto conversas acontecem ao redor, nos primeiros minutos do filme, ou como primeira cena, pode ser letal, dedão no eject.
Se o diálogo não for bom ou o objeto não for interessante (bonitinho?), já era.
Os independentes do leste europeu gostam de começar assim.
E dá-lhe eslavês com legenda e eu dou eject - por uma questão acadêmica, pois não sei russo, polonês ou húngaro.
Alguns brasileiros copiam.
Tem a coisa do timing com essas cenas.
Pode ser que espirre sangue, cuspe, xixi.
Escatologia logo de cara, só o Lars von Trier se garante.
VI
O Cacá Diegues pediu pro Chico Buarque uma música prum filme.
Chico fez Bye Bye Brasil, ficou enorme.
Cacá pegou o papel da letra e rasgou, canta até aqui, até aqui tá bom.
Diz a lenda.

Um comentário:

Leela disse...

Eu adoro Natural born Killers e o final cliché e sentimentalóide de V. Tem toda razão, é perfeito para o cinema.