Pára tudo

Para quem acha que a vida não termina no domingo à noite, para quem concorda em não usar capacete num carrinho de rolimã descendo uma ladeira absurda e para quem acende todas as luzes da casa para apagar a solidão.
Para quem corre para sentir-se vivo e para quem vive sem correr e para quem escreve sobre as pessoas, para quem lê o horóscopo de manhã, paga o dízimo à tarde e se embola no santo depois da meia noite, para quem sonhou que voava e reclama que a pizza está sem orégano.
Para quem é um bundão.
Para quem sobe e desce escadas tão lépido quanto um gato medroso e abandona os amores no andar de baixo, para quem, do telhado, perde a conta no céu todas as vezes que passa uma nuvem e apaga as estrelas, para quem acredita que a melhor canção para uma despedida é um bolero do Agnaldo Rayol, para quem joga fliperama, pacman, War e mau-mau, mas não consegue ligar para pedir perdão.
Para quem pisa na grama e sabe que é sagrado tirar as sandalias em campo santo, para quem sente o coração acelerar quando ve a praia depois de um longo inverno com as bermudas pútridas de naftalina. Para quem também diz talvez.

Um comentário:

Erika disse...

Que coisa forte esse texto, heim? E que coisa boa também.
Eu gostaria de viver sem correr, mas não consigo. Mas consigo fazer outras coisas listadas aí, então penso que nem tudo está perdido.