Six por seis

I
Lembra do norueguês que explodiu o centro de Oslo e depois meteu bala em mais de 70 pessoas num acampamento?

Isso mesmo, lembrou.

Psiquiatras ligados ao caso estão dizendo que ele é louco, que sofre de esquizofrenia paranóica e que na ocasião dos atentados não estava são.

Precisaram de meses de entrevista com o cara para chegar a essa conclusão?

Eu acredito que a ciência deva ser empírica, claro, mas esse tipo de resultado chega à beira da idiotice.

Será que havia alguém por ali que acreditava que ele estava são e consciente naquelas horas?

E se estivesse, não seria pior?

O foda é os caras dizerem que por conta desse laudo psiquiátrico, o assassino esquizofrênico paranóico pode ser considerado penalmente irresponsável (!) por seu ato, não ir a julgamento e ser trancafiado numa instituição para tratamento.

Que, pelo menos, será perpétuo.

Também acho que instituições psiquiátricas e penitenciárias têm o mesmo singelo teor ideológico e mecânico-funcional quanto aos muros, segurança, isolamento, drogas (legais ou não) e banhos de sol. Ou seja, seis por six.

II
Ao andar nos bairros residenciais por aqui, sente-se e vê-se a diferença na altura dos muros entre o Brasil e o Japão.

A claustrofobia brasileira gera bairros inteiros de muros e telhados, mal dá pra ver a casa.

Além dos sobrados com cobertura na garagem para proteção da casa e do carro. A sala que é bom, bau-bau de sol.

Mas em países seguros e avançados como a Noruega, o cara vai lá e pimba, ou seja, essas coisas dão um nó sociológico mesmo.

III
Um grande amigo meu me perguntou porque eu não volto logo para o Brasil e deixo esse país que tem espasmos epiléticos geográficos. Eu disse que era por causa da segurança, trabalho e que a violência do Brasil me afasta sempre, cada vez mais.

Ele disse que prefere bala perdida a terremoto.

Na verdade, a roleta russa é uma só. O sorteio funesto não tem vencedores, só perdedores. Tanto um terremoto como uma bala chegam sem avisar. Six por seis.

IV
O que importa é sentir-se bem, Brasil, Oslo ou na Meseta. Em qualquer situação o tic-tac é inevitável.

- Mas catso, não dêem corda nessa porra de relógio!



2 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

Seis por six, é a vida em qualquer lugar!
bjs
Jussara
PS. Tô tentando não dar corda no relógio.

Camilo disse...

Orra... gostei muito deste post!
Saudações Alvinegras! É domingo!!!