Ardil

Sobre o silêncio que não existe.
Existe um infindável barulho de eletrônicos imitando silêncios.
Existem luzes apagadas e escuridão dentro da escuridão.
Coisas. Livro fechado no colo, chuvas e guarda-chuvas, perfil de gente triste.


Vivas, as mãos estão vivas e tocam as paredes pensando em envelhecimento.
Não te vejo faz tempo. Nem você, você e você.
Lixo humano no planeta Marte. Multibilionário detrito teórico.
Praia vazia não enerva ninguém.


Mas eu grito.
E nada acontece.
Independente.
Solo de trombone ultrapassando o limite do ponderável.

Caminhões com suas sombras imensas escondem o sol.
Sol sozinho. Sempre pensativo.
Fui até o mercado e comprei berinjelas.
As berinjelas me acompanharam quietas até em casa.

Ardil.
Um dia caiu uma ameixa num manjar e de lá nunca mais saiu.
Ardiloso.
Há quem vá e volte. Há quem venha e fique. Há amor.

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