Hiroshima

Hoje à tarde assisti na tv a um documentário sobre nipo-americanos que nasceram e viveram nos EUA antes da 2a. guerra mundial, seus pais sofreram retaliações do governo e vizinhos, perderam emprego, casa, comércios, os filhos foram expulsos da escola e por isso voltaram ao Japão, para vários lugares, mas a entrevista foi com três que voltaram para Hiroshima.
No dia 6 de agosto de 1945, às 8:15 da manhã, a bomba.
Mas sobreviveram.
As entrevistas foram feitas pelo ator japonês Ken Watanabe (O Último Samurai, Cartas de Iwo Jima e A Criação, pra lembrar).
O mais interessante é que todos voltaram para os EUA nos anos 50 pois tinham readquirido a cidadania americana e o Japão não estava fácil para jovens que também sofreram por serem americanos (!) e terem perdidos amigos e membros da família.
Todos moravam na zona rural ao redor de Hiroshima.
Um deles, hoje dono de uma loja de acessórios e oficina para cortadores de grama em Pasadena, California, todo dia 6 de todos os meses, às oito e quinze da manhã, enche dois copos de cerveja, reza em silêncio, toma um dos copos e depois chora. Faz a pequena cerimônia pelos dois amigos que morreram. Eles tinham 14 anos e iam para a escola juntos. Naquele dia ele se atrasou e os dois gritaram "vamos na frente, nos alcance". Nunca mais se viram. Este senhor, ao voltar aos EUA, alistou-se no exército americano. A comunidade e toda a família o chamou de louco, menos o pai. Ele explicou que estava fazendo aquilo para provar aos americanos que ele era americano e que o que eles queriam era a paz. O pai o entendeu. Foi uma forma de apaziguar o preconceito aos japs que ficaram ou voltaram do país vencido.
A outra entrevista foi com uma senhora que foi ao Japão ainda bebê de colo e voltou aos EUA com 15 anos. Casou-se com um americano e juntos construiram uma pequena vinícola nos arredores de San Francisco. Ela lembra que os pais trabalhavam numa grande plantação de uva e que ela ficava num berço embaixo das parreiras junto com outras crianças japonesas. As crianças maiores cuidavam das pequenas. Quando ela voltou, encontrou uma delas na penúria em San Francisco, a chamou para morar junto com a família e depois ela passou a cuidar da filha dela.
A última entrevista foi com outra senhora que perdeu toda a família, só ela sobreviveu. Os pais dela tinham uma pequena plantação de morangos na California nos anos 30 e 40. Com a guerra, ninguém mais quis comprar os morangos pois achavam que os japs poderiam envenená-los. Como perderam tudo, os pais voltaram ao Japão no começo de 1945. Ela, pelo fato de ter ficado muito tempo nas plantações de morango com os pais, desenvolveu uma alergia que pegou de um fungo que ataca a fruta. Naquele verão de 1945, como a criança tossia muito e sentia falta de ar na cidade de Hiroshima, resolveram mandá-la para a casa de parentes, num sítio montanhoso ali perto. Ela tinha duas irmãs mais velhas, gêmeas. Todos morreram. Os parentes, quando puderam ver o local onde era a casa dela, só encontraram uma foto de uma das gêmeas. Até hoje tem a foto na parede da sala e durante todos esses anos, além de não comer morangos por causa da alergia, vem se perguntando: qual delas está ali?

Calendário de besta que de besta não tem nada ou Porque não tenho photoshop em casa

No dia 1 de julho, as industrias automobilísticas começaram um novo calendário para si: Todo mundo folga nas quintas e sextas e trabalha nos sábados e domingos.
Isso é para economizar energia elétrica, sem sobrecarregar as quintas e sextas junto com os outros segmentos produtivos.
Depois do acidente na usina nuclear de Fukushima, todas as outras usinas estão em stand by para reverem todos procedimentos de segurança.
No total, são 54 e respondem por mais ou menos 30% da energia produzida no Japão.

Como no verão a tendência para o aumento do consumo é evidente por causa dos aparelhos de ar condicionado, há essa tabela de consumo com menos 15% a ser alcançada todos os dias até o final de setembro.
O que eu acho que é coisa de besta é folgar na quinta e sexta e começar a trabalhar no sábado, ou seja, o sábado virou segunda-feira.
Para qualquer leigo, isso é uma psico-catástrofe.
É como sorvete de jiló.
Na verdade a catástrofe é visível até para mecânico de carrinho de rolimã.
A gente pode até transformar a segunda num domingo-auxiliar, que seja, mas não o sábado numa segunda.
Pra mim tá o ó.
Como Hamamatsu é um pólo industrial e a maioria delas gira em torno da grandes montadoras, vou domingo à praia e está vazia.
Shopping, vazio - mais ou menos.
Restaurantes, menos cheios.
Por mim, pode ficar assim até papai noel passar.
Ou como diria Chico, quando o carnaval chegar.
Na minha psicologia, tudo bem.
A foto da Julia Roberts é pra mostrar o quão sacana é a photoshopagem.
E como ela é num sábado à noite e como ela ficaria num sábado à noite que virou segunda.
A merxam pode ficar por aí, eu não uso lancôme e nem sou revendedor avon.

M*

Eu tava aqui escrevendo outra sorte de coisa.
Dei uma dedada sei lá só deus sabe onde nessa merda de teclado de notebook que nunca me acostumo e tudo virou um grande branco.
Tomanocu eu, porra.

25 de julho de 2011 - daqui pra lá, só digiTV

















I
Hoje o Japão conclui sua transição para a tv digital.
Só não é completa por causa da região afetada pelo terremoto e tsunami de março, Fukushima, Miyagi e Sendai, que ainda receberão transmissão analógica por mais um ano.
Essa transição vem acontecendo já faz um tempo. As emissoras colocavam letrinhas correndo embaixo do monitor apenas na transmissão analógica avisando a data do fim de uma era.
E já foi adiado uma vez.
Mas hoje é definitivo.
E te digo, gente boa, é infinitamente superior.
A transmissão analógica em digiTV, como vi em algumas casas no Brasil, não se compara.
II
As minhas primeiras impressões com tv são dos anos 60, coisas como Toppo Giggio, Robô Gigante e National Kid.
Lembro que quando a tv desligava ficava um ponto branco no meio do cinza da tela e o ponto ia desaparecendo - como se todos os personagens que eu assistira até segundos antes, estivessem sendo engolidos pelo nada.
Tinha o ruído da sintonia fina e o seletor de canais que girava tec tec.
A primeira vez que vi uma tv colorida foi em 1974, um jogo da seleção na copa da Alemanha Ocidental, na casa do Beto Trecco.
O primeiro vhs foi um trecho de um show do Hendrix, e era daqueles aparelhos onde se encaixava a fita por um compartimento que abria em cima e não na frente.
O controle remoto era com fio.
Lembro que perguntei pro André se podia olhar a fita acreditando que veria as fotinhas como numa película de super 8. Isso foi no começo dos anos 80.
No meio dos anos 80 escutei meu primeiro cd e era Jean Luc Ponty, achei que o violinista estava no fundo da sala.
Foi impressionante.
Minha primeira experiência com laser disc foi o Poderoso Chefão II.
O barulho daquele disco enorme girando no aparelho me incomodava durante a transmissão. Achei estranho que depois que criaram o cd, ainda tivessemos que virar o discão para assistir a continuação do filme.
O dvd foi o oásis. Ainda é. E veio o surround 5.1. E a tv digital enorme, 37, 42 polegadas.
You Tube.
III
Coloquei um rádio para ilustrar esse post porque uma coisa muito cotidiana era o rádio na cozinha com a Hora do Rei da Rádio América AM e eu na sala tentando assistir Globo Cor Especial.
Não existe nada mais antigo do que cowboy que dá cem tiros de uma vez.

Imortais aos 27










































































Todo mundo fode publicando fotos deles desdentados, mortos, chapados.
O momento mais importante de um artista é o momento da criação.
A oficina desse povo aí era o palco.
Nada mais justo do que lembrar de todos eles assim, em ação.
Então bota o disco pra correr na vitrolinha e só vale se for no talo.

Poesia Binária no vão do X

Se você acha que a poesia existe só para publicar em blog, te enganaram, ela é anterior a isso.

É anterior a você, é anterior a mim.

Qualquer poesia está muito acima da cabeça de um poético cosmonauta russo de planetas azuis.

Essa poesia aqui que nem parece ser muito poética e é apenas a versão mais simples do que poderia ser muito mais elaborado do que ela tenta explicar.

E nem todo o infinito seria tão lindo se não fosse lírico. O infinito lírico chama-se enternidade. E a eternidade para a poesia é só mais um papel rasgado.

A cada três minutos alguém escreve uma poesia no mundo.

A cada cinco minutos uma poesia some no vácuo do lixo.

A cada hora aproveita-se uma boa idéia.

Por dia lançam três livros curtos de poetas a serem descobertos.

No tempo do mimeógrafo eram muitos pela noite disputando vaga nas mesas entre rosas e mímicos desgraçados. Nesses dias os blogs substituiram toda graça do ar cansado, do papo furado, do frio e da garoa.

Os poetas dos anos dois mil são poetas do seu próprio quarto, numa missão vanguarda do receptáculo mínimo múltiplo incomum de jamais sorrir para fora como Emily Dickinson.

Mas ela podia.

Poeta triste é poeta burro sem amor.

Vão aos bares, brothers & sisters.

Em média, lemos duas poesias por mês.

Em geral, elas estão escritas em encartes de cds.

Por isso quem gosta de jazz alfabetizou-se em outra coisa mais abstrata.

Se tem uma coisa que sobra nesse mundo é poeta.

Explica-se porque a maioria desiste antes dos vinte.

Alguns sobrevivem até os trinta.

Poucos merecem os quarenta.

Totalmente errados estão os que chegarão aos cinquenta.

Bons mesmo são os que alcançam a imortalidade nas bocas, ruas, dos bêbados, das putas.

E alçam voo numa página amarelada.

Pulo: céu.

Nippon Sekai Ichi



A seleção feminina de futebol do Japão conquistou o título mundial na Copa do Mundo na Alemanha.
Só o gol de calcanhar da meio campo Sawa - na foto com o troféu - já valia o título.
Foi o gol da superação. Enquanto muito gente acreditava que ia dar as ianques de lavada, o Japão foi lá e empatou duas vezes, catou dois penaltis e trouxe o troféu pra cá.
Melhor que ser campeão é ser campeão de virada.
Banzai banzai banzai!

Taifu de julho




Com taifu (tufão) não tem boi, é uma força da natureza sem dó do que anda, voa, rasteja ou tem raíz no solo.

Não é um daqueles furacões do Golfo do México que invadem aquela região do delta do Mississippi, mas é um tufão e deve ser respeitado como um grande deus furioso.

E como tal, com seus humores (nos dois sentidos, umidades e estados de espírito) mutantes e pouco sociais, ele pode mudar de direção, nunca para o sul, mas apenas resvalar a costa japonesa sem que entre ilha adentro, fazer a curva da Ásia e sair por ali, a nordeste.

É uma possibilidade.

Ontem, mesmo com o taifu a mais de 2000 quilômetros da praia onde eu estava, as ondas não estavam cordiais e formavam-se longe da orla, visíveis, suas espumas mar adentro. Ficamos poucas horas por lá e resolvemos voltar para o conforto das quatro paredes do lar.

Agora não há vento e nem o céu está nebuloso ou vociferando. É a famosa calmaria que antecede à tempestade.

E a natureza sabe tudo, porém. É madrugada e os sapos não coaxam.

O respeito sempre chega ao raso do arrozal.

Atitude ou Eu quero é mais


Em frente ao mercado, cinco e tantas da tarde, hora de rush e aperto nesses lugares porque todo mundo sai do serviço e vai buscar o jantar.

Este mercado tem dois estacionamentos e o outro, um pouco mais afastado, está sempre vazio e claro, ninguém vai lá porque tem que andar uns 50 metros, que seja.

Só há uma porta de entrada - a da foto - e quando cheguei, tinha esse carrão azul (B) embicado na porta. Achei estranho, todo mundo achou.

Japoneses são zelosos quanto à ordem, aos lugares das coisas, ainda mais em estacionamentos. Ou não.

Ao aproximar-se para entrar, vê-se o motivo.

O carro B é de cadeirante. Na traseira, no canto direito, há um selo circular com um trevo. Isso indica alguma deficiência física, menos cego, claro.

O carro azul menor (A) parou em uma vaga com uma enorme cadeira de rodas (padrão internacional) desenhada no chão. Somando-se os dois estacionamentos desse mercado, são quase 100 vagas e há apenas essa para deficientes.

E a dona - depois eu vi - teve a manha de estacionar ali porque dá de cara com a porta, esperta.

Imagino que essa gente pense assim "Entro, pego, pago e saio em três minutos. Cinco, se muito. Claro que não vai aparecer um manquinho".

O carro ao lado, prateado, está numa vaga para idosos. Não sei se realmente era um carro de idoso.

Mas o carro pequeno, fui na traseira conferir (bendita e pútrida curiosidade) e não havia nenhum selo.

Quando entrei para as verduras e o queijo - no fim acabei levando + pão + água meio com jeito de Gatorade + bacon, porra, quem resiste a um mercado? - vi o velhinho de cadeira de rodas escolhendo tofu com um amigo de andador.

Fui pegando minhas coisas e depois os encontrei nas bebidas onde eles enchiam a cesta no colo do cadeirante com muitas latinhas pilsen. Gostei da dupla e da estratégia de atalhos para não passarem aperto nas compras. O cadeirante acompanha o andador para carregar a cesta. O andador dirige o carro. O cadeirante vai atrás, pois geralmente esse modelos especiais têm uma rampa na porta lateral para cadeiras de roda. Meras suposições.

Passei no caixa, paguei e saí.

A saida fica ali do lado onde supostamente teria um carro C.

Passei em frente ao carro novamente (maldita e deveras pútrida curiosidade) e lá estava a dona do carro A colocando as compras e as crianças com uma constrangedora pressa de quem fez uma cagadinha:
"Merda! O manquinho veio! O manquinho veio!"

Dia do Rock








Enquanto ela existir, estamos salvos.

Me explica

Diz o wiki que o Sheffield Football Club é o time de futebol ainda em atividade mais antigo do mundo, fundado em 1857.

O Hallam Football Club que é o segundo mais antigo, foi fundado em 1860, três anos depois. E são da mesma cidade, Sheffield.
Isso explica o escudo do Sheffield ter dois caras, é que durante esses três anos, um jogou contra o outro e não importa quem vencesse, o Sheffield permaneceria invicto, outro recorde.
No Brasil a história é meio parecida.
O mais antigo clube de futebol do Brasil é o Sport Club Rio Grande, da cidade gaúcha de Rio Grande, fundado em 19 de julho de 1900.
O segundo é a Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas, de 11 de agosto de 1900, coisa de três semanas. No entanto, o primeiro match de futebol aconteceu em 15 de abril de 1895, entre funcionários da Cia de Gás X São Paulo Raiway.
Em 1900 ia ser difícil para os paulistas e gaúchos se encontrarem para um tira-teima.
Não há registro do primeiro jogo entre o SC Rio Grande e a AA Ponte Preta.
Se alguém souber dessa partida, agradeço.



Bate coração, vai

O fato de eu não ter deletado os blogs parados a meses, anos, aqui do lado, no "Gente Boa de se Ler", mostra que eu sou contra a eutanásia.
E cheio de esperança que essa gente toda volte a escrever.

Sudão do Sul, o país bebê




Bem vindos ao mundo, gente boa do Sudão do Sul.

Com todas essas brigas internas, vocês já sabem de antemão que o mundo não é nada fácil.
Entre um dia e outro, refeições, bejinhos, sorrisos, diversões e afazares, o que vale mesmo é grana e poder.

Aprendam que mesmo não sendo protagonista de disputa alguma, o humano, o fator humano, eu, vocês ou um cara lá no Alaska, o social, o anti social, todo esse blablabla faz de nós cúmplices de alguma disputa que ocorre sem que saibamos.

Mas sua presença, invisível e contida, é contada e somada aos votos - jamais revelados - e sua participação inócua está garantida. Geralmente é assim que os famosos, ricos e risonhos do hemisfério norte fazem e acontecem.
Tapinhas do ocidente, beliscões do oriente, sorrisos do norte, acenos do sul. Todos contam com vocês como se fossem velhos conhecidos.

Para a maioria das pessoas, o Sudão é apenas um território num mapa colorido de um jogo de estratégias e simulação de guerras. Eu também não vou muito longe disso, admito.

Mas, nesses dias vocês são o país mais famoso do mundo.
Toda a mídia está falando do seu nascimento.
Aproveitem e façam o melhor.

Cuidem das crianças, da educação, da papinha, da merenda e das festas para elas.

Façam com que brinquem toda a vida, do zero aos cem.

Nunca deixem nenhuma criança sudanesa do sul chorar de fome, vergonha ou raiva.

É uma oportunidade única, vocês também são um país-bebê.

Cuidem da democracia. De todas as fórmulas que pensamos de convívio social desde os idos das cavernas, é a que menos atrapalha na hora de querer pensar por si.

É bom pensar por si, faz bons artistas, autores, atletas, intelectuais e cientistas.

Espero brevemente torcer pelo Sudão do Sul numa copa do mundo.

Gosto do nome de vocês. Podia ser Letão do Leste, Notão do Norte ou Oetão do Oeste. Que nada, Sudão do Sul, percussivo, forte, aumentativo desde a origem.

Eu não acredito nessas coisas, mas dizem que somos do mesmo signo e isso deve ser bom sinal.

Boa sorte e sei lá, quem sabe eu dê uma passada prum café.

Inté.

Cães

Tem a Tika que eu chamo de cã.
Ela é legal, histriônica e na cara, num dos olhos, tem uma mancha preta. É um charme. A Tika e eu vimos o Brasil estrear na Copa do Mundo das vuvuzelas. A Tati também.
A Tika é dona da Tati e do Will.
O fato é que cachorro quando tá numa boa, relax, zen, tudo azul, com o humor de sabadão à tarde, ele senta onde estiver e lambe o saco, o pinto, a área toda.
Isso é que é presença de espírito. O resto é metáfora humana.

Kind of Blue - Box comemorativo de 50 anos



Eu me dei de presente.
Estava namorando esse box desde o começo do ano, comemorando os 50 anos da obra prima máxima da música do século 20. Tem poster, fotos, dois cds, um dvd, uma carta manuscrita do Bill Evans, um livrão contando a epopéia dos takes e um vinil azul do próprio.
Esse disco entrou na minha vida por acaso. Eu queria o Big Fun porque ouvi um solo do Miles nesse disco no porão de uma loja de discos em Londres.
Não havia em cd, apenas em vinil.
Marquei num papelzinho. Perdi o papelzinho.
Quando voltei pro Japão, fiquei atrás daquele inesquecível solo de trompete, comprei vários discos de várias fases, Quartet, Quintet, fusion, estava quase desistindo quando vi o Kind of Blue numa loja de usados que frequento até hoje. Botei no carro e ficou tocando semanas.
Uma obra prima é uma obra prima e não se explica.
Nem vou assistir, nem ouvir nada, só abri e fiquei cercando a cria.
No carro já estava tocando. Agora meu coração voltou ao compasso normal.

Sim, meses depois achei o Big Fun e também é um pusta disco.
Em 2010 achei em São Paulo o livro contando a história da gravação do Kind of Blue.
Ano que vem compro um trompete.

6 de julho - Dia Mundial Contra Passageiros Indesejáveis







Faltam 178 dias para acabar o ano.

Neste dia, em 1919, o primeiro zepelim a atravessar o Atlântico pousa em Nova York.

Em 1785, o dólar é escolhido a moeda oficial dos EUA.

Em 1928 estréia o primeiro filme falado, Lights of New York.

O navegador português Diogo Cão, feliz, encontra a foz do Rio Congo, 1484. Por outro lado, em 1885, Louis Pasteur testa com sucesso sua vacina anti-rábica num garoto mordido por um cão, com raiva e infeliz.

Em 1942, Anne Frank e sua família passam a se esconder dos nazistas em Amsterdam.

Em 1957, Lennon e McCartney se encontram pela primeira vez em Liverpool.

Nasceram no dia 6 de julho: Frida Kahlo (1907), Bill Haley (1925), Janet Leigh (1927), Dalai Lama (1935) e Arnaldo Baptista (1948).

Em 1946 nasceram Toquinho, Silvester Stallone e George Bush, o recente.

Só há uma santa cadastrada como padroeira desse dia, Santa Maria Goretti, mártir. Sua santidade já foi cassada, depois devolvida. Esses caras realmente não sabem nada de santos.

Thomas More, Castro Alves, William Faulkner e Louis Armstrong morreram em 6 de julho.

É o "Dia Mundial Contra Passageiros Indesejáveis".

E é o dia em que nasci. Coincidentemente, minha mãe tornou-se mãe.




Foto na Pinacoteca de SP em maio de 2006, de Paulo Torma.

Mas que

porra é essa?






É um mexicano tentando fugir da cadeia.



Energúmeno?
Si! Si!

Dúvida cruel








Achei num desses sites bubblegum.

A molecada tá botando pra quebrar.

Esse cara só vai ter uma dúvida na vida:

- Fender ou Gibson?

O verão está completo

Umidade do ar absurdamente alta. Ora vidro aberto, ora ar condicionado.

Velocidade de curso suficiente e eficiente rumo a Sagara Beach.


Música prá pular e não prá pensar.

Bem, era Kraftwerk, pra mim isso também pode ser alegrinho.

Óculos escuros na minha, na nossa, na cara de quem saiu de casa.

Vento morno vindo de todas as partes, cercando e saudando nossos corpos, sem autorização.

Pé na areia. O sol. O mar. Até Kraftwerk soava boing boom tschak bossa nova.

O céu azul de um patriotismo absurdo.

O primeiro mergulho de 2011, a plenitude completa mais um ciclo.

- Todo dia era dia de índio.

Naquele momento eu percebi que a vida vista sob o ponto de vista de uma pessoa numa praia é absolutamente perfeita e por si só, completamente mágica.

- Nem sempre se vê mágica no absurdo.


Preciso ganhar numa dessas loterias de milhões e nunca mais amarrar cadarços.

Itamar Franco

Ele morreu.
Morreu uma parte da história da democracia do Brasil.
Eu não gostava dos gostos políticos dele.
Do topete.
Da forma pouco e nada mineira de executar.
Mas que ele ajudou a tirar o Brasil do buraco, ajudou muito.

Hamamatsu e a 2a. guerra mundial

De fevereiro a julho de 1945, Hamamatsu foi sobrevoada e ostensivamente bombardeada pelos imensos B-29 da força aérea americana por causa da Mitsubishi Motors, Suzuki Motors, algumas indústrias bélicas e também pela base aérea de onde saiam os vôos com suprimentos para as tropas em Iwo Jima, Guam e Saipan.


Mais de 3500 civis foram mortos. 60% da cidade foi completamente destruída.

Um velho amigo conta que as sirenes tocaram e ao mesmo tempo, um homem saiu pelas ruas do bairro gritando que os americanos estavam chegando.

Esse velho amigo tinha 4 anos. Alguns moradores resolveram ficar em casa. Ele morava no bairro de Kamoe cho. Seu pai achou melhor fugir para o norte. Passaram a noite escondidos dentro de um arrozal seco.

Ninguém dormiu naquela noite de luzes, gritos, explosões e assovios das bombas caindo dos aviões.

Na manhã seguinte, voltaram para casa. Onde estaria a casa da família, havia um buraco redondo, cinza e esfumaçado. Muitos vizinhos morreram. A casa havia virado um buraco feio e fedido.

Ele nunca mais se esqueceu daquela noite.

Hamamatsu, 100 anos

Templo xintoista entre dois prédios comerciais no centro de Hamamatsu.


Há cem anos, no dia 1 de julho de 1911, penúltimo ano da era Meiji do Imperador Mutsuhito, Hamamatsu recebeu o status de cidade.
Mas já tinha gente por aqui desde o século 16.
Fica no meio do caminho entre Tokyo e Osaka.
Durante séculos foi um ponto de parada e descanso para os peregrinos entre uma cidade e outra.
Eu gosto muito daqui e comemoro junto.