Ao vivo, na tv

A vida pândega dessa gente gostosa e bronzeada é comer, dançar, ficar mais bronzeado, falar estultices e ir dormir de parzinhos para ficarem de bolinagem embaixo do ededrom.

O ededrom é como o Rosebud de Kane, sem ele, não há ação.

Grana. Eles querem grana. E acabou o enredo, motivo, razão, sabedoria, possibilidade, sono.

Agora inventaram um estupro para alavancar o ibope. É o que parece. Não acredito que não tenham falado estrupo naquela sala.

O foda mesmo é encarar uma lista de releitura de livros clássicos. 

Algumas pessoas fazem isso. A gente lê esse, aquele, deixa um, pega outro e continua a listinha.

Quando chegar a vez de 1984, de George Orwell, ao contrário do pavor e ódio que cedemos ingenuamente aos vilões de outrem, vamos misturar universos e sensações paralelas, a realidade e a ficção, como num trauma orwelliano.

Literalmente e literalmente.

O Grande Irmão, único, onipotente, onipresente, senhor dos senhores, gênio criador e criatura da novilíngua e do duplipensar, será também aquele jornalista evidenciando sinais de caduquice e imbecilidade com sua cara colorida na teletela tv plasma plana aparecendo numa sala com indivíduos pândegos obsoletos e exibidos.


"Guerra é paz,
Liberdade é escravidão,
Ignorância é força."

- Lema do Partido

Um comentário:

Gladstone Barreto disse...

Vou compartilhar...Belo!!!