De sol a sol e nada muda nesse instante

Hoje escrevi uma idéia meio completa num papelzinho, enfiei na agenda e a agenda na gaveta e a gaveta não está aqui. Nem a minha memória.
Se fosse interessante, no mínimo bacaninha, eu me lembraria e até ficaria rico com isso.

Ou, no calor das cobertas, pleno e feliz.

Mas tem uma frase que eu lembro:

Mais triste que zíper enganchado.

To ouvindo no carro uma banda de rock e esqueci de botar o nome dela no disco. A banda tem uma pegada meio White Stripes + Subways com uma vocalista na onda do Metric.

Outro dia fiquei pensando que até Adolf teve amigos, Goebbels e Göring, mas amigos.

Tem coisa que não se explica, nem se justifica, mas acontece e dá merda.

Também não sei se eles eram tão amigos assim.

Naquela altura dos acontecimentos, ser amigo era uma fraqueza de caráter, acho.

Que caráter?

Tava muito estressado pelo excesso de trabalho. Nem tanto, mas numa fase estressante de pianos novos, modelos esquisitos, datas muito próximas, homens de gravata fazendo muitas perguntas.

E então resolvi baixar umas coisas etéreas de ambient louge.

Vai que acalma, pensei.

Foi anteontem.

Quase me joguei da ponte, com carro e tudo porque música pastiche é uma merda.

E esse pastiche até era de qualidade.

O que o torna verdadeiramente muito ruim, pior que o pastiche ruim.

Um dia ainda consigo definir o que é brega e/ou chichê e/ou pastiche e/ou usual.

Por enquanto sinto e acho que deve ser ou não.

Há um consenso, ou vários. 

E acredito em todos e em nenhum.

Lembro que o Otávio não gostava da palavra e da idéia do ridículo. É mais ou menos essa concepção das qualidades. Não que eu não goste, mas não compreendo mesmo. Mas também há as ocasiões de não gostar.

Livros. Olho para a estante e vejo todos dessa distância. E eles me encaram feito o abismo de Nietzsche. Tá foda escolher um para o fim do inverno.

Queria ter o poder de lê-los todos juntos ao mesmo tempo, pá e bum, rápido como um touché.

Deve ter algum céu assim nesse paraisão de deus.

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