Quartà meinoite

O que resta mesmo é o silêncio, a falta das vozes, dos sons da rua, passos, carros, sombras se colidindo nas paredes.
O fim de tudo está na quietude.
Uma gota numa cachoeira faz toda diferença.


Uma pessoa se desfaz e outras dez se vestem de saudades.


Nem mesmo o som dos galhos crepitando na fogueira.
Nem cílios piscam,
plenamente não.


O escuro sabe onde tateia.


No escuro sou tão frágil
e tão lento
e tão ingenuo
e tão sincero.


No escuro me banho de auto-piedade como se a piedade fosse um dom.


Ao fechar os olhos todas as minhas vergonhas respiram melhor.
Somos o alvo dessa moléstia,
bunda-mole cabeça-de-vento pisca-pisca.


A poesia está tão livre que nem merece ser.

Um comentário:

rodrigo tomé disse...

udo ado unde - um verso desnudo, um poeta pelado, uma ode ao desbunde!


Excelente sonoridade. Imagens quase hai kais mas com o corte cinematográfico.

Parabéns, amigo, esse é o primeiro poema-poema que leio no seu blog, agora quanto à sua poesia, eu já conhecia.