Hoje não procrastino

Hoje comecei a cuidar dos textos que escrevi aqui nesse blog e no anterior.
Não sei se merecem tanta relevância, mas podem dar bom caldo.

Nunca me senti bem compartimentando até começar a fazer isso com discos.

É interessante, por exemplo, Billie Holiday ao lado do Offsprings, mas é confuso.
Em gênero e ordem alfabética seria incongruente. Talvez por nacionalidade ou século em que viveram tenham uma certa combinação para estarem lado a lado.

Tem um set box do Perry Como que saquei numa super promoção e não sei se figura na área de jazz. Na verdade é chato pacacete e foi numa promoção. Daqueles discos encostados de uma única audição.

Música folclórica de Bali, é um caso único de nenhuma audição. Ainda está no plástico. Já começa pela capa que tem um castelo que na verdade é no Camboja. Depois, na contracapa os nomes escritos em sânscrito e transcritos em romanos tipo Bahra bahra bu

e que se dane a música de Bali. E ganhei e nunca mais vi o cara que me deu esse troço.

Agora fiquei curioso para ouvir. Mas dane-se. Dessas teimosias que conservamos sem motivo plausível, apenas por ter num canto do armário ou da memória, como pote de maionese com bolinhas de gude da infância.
Essa história toda de Bali me lembrou de Lima Barreto e O Homem que Falava Javanês. Um clássico.
Pronto, ótimo, voltamos à literatura.

Pois bem, hoje comecei a mexer nos textos, selecionando alguns. Na verdade, apenas três e logo comecei a escrever aqui. Preguiça é foda.
Não sei quantos serão, to indo pelo gosto. Percebi que, apesar do pente fino na revisão, sobram erros com plurais e singulares. 
É estranho citar singular no plural.

A mesóclise é um fenômeno da flor do lácio ou tem em outras latinidades? Também não sei se já usei desse aparato.

O fato é que cuido mais do arquivo das fotos que dos textos. Não sei se usei mesóclise, mas sei que tenho uma foto xis de pássaros num fio de alta tensão num dia de chuva forte.

Imagens são mais tácteis que palavras? São.

Tenho uma certa ojeriza do que já escrevi, é como reviver uma emoção e forçar as entranhas para engolir algo insustentável e insípido como emotividade amanhecida. Nos textos, como agora, as emoções não são tão superficiais e efêmeras como uma imagem, um instante congelado, a foto.
A vã tentativa de congelar o tempo como se realmente tivéssemos esse poder é o que sustenta a arte, a artéria dos criadores, seja imagem, som, texto ou corpo.
O perpetuar é a nossa questão, o chão logo abaixo do tapete de idéias e sonhos. Para isso estou nessa de deixar tudo arrumadinho, para perpetuar, quem sabe, em celulose.

O primeiro passo está sendo dado, concentrar forças para reler.
Depois dar aquela garibada, retoque.
Depois, mandar para um amigo, que como eu, é um procrastinador profissional com ares de amador.
Já são quatro anos entre um livro sem fim e um prefácio que não escrevi.
Talvez ele demore alguns anos para ler, mas antes, eu demore alguns anos para mandar.
A coisa é muito vice e versa nessa luta de procrastinadores. É assim mesmo. E demora.


Nenhum comentário: