Ai, ateus

Eu não acredito em fantasmas, deus, deuses, anjos, demônios e sacis. Nem em espiritismo, magia branca, forças do bem e do mal. Não sei se vou morrer. Pode ser que sim, ou não. Provavelmente sim, as estatísticas comprovam, quem nasce foi feito pra morrer, é uma questão de tempo, curto, grosso, longo, chique, fino, casual.

Mas não vejo nada de mal em acreditar. Já acreditei e vi coisas acontecerem na minha mente que só o inexplicável explica. Coincidências brutais que só qualificam a palavra, dando ênfase e decuplicando o significado do que pensamos ser apenas coincidência.

Mas deixei de acreditar e não sei porque. Pode ser que o racionalismo desse século tenha cortado a mística que aprendi e gostei.
Também pode ter sido ilusão juvenil. Basta ter uma utopia no final do capítulo e milhares serão comunistas, socialistas, istas istas. Até mesmo ateus, agnósticos, não-crentes, ateístas (?).

E os jovens, em sua maioria, sempre aos bandos, crentes e não-crentes, raramente solitários como um lobo na estepe, como diria Hermann Hesse em "O Lobo da Estepe" - que não é um livro sobre crenças, mas sobre solidão.

Até para ser ateu, cria-se uma organização com estatutos e ideais contra a existência de deus.
Na verdade, eu vejo como outra religião, sem rezas, sacralizações ou lendas, mas organizada para que seus membros tenham argumentos pré-fabricados para apenas não acreditarem em deus.
Tão pré-fabricados como os que acreditam.
A negação de uns é a afirmação de tantos outros. Uns não existem sem os outros.
Negar a existência de deus não significa ser oposição sistemática aos que acreditam em deus. Isso me parece querer politizar e racionalizar uma forma de pensamento que passa apenas pelo crivo da emoção.

As pessoas que acreditam em deus, elas sentem deus.
Os ateus não sentem. É simples.
E ambos estão com a razão.

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