Quando penso em Ivan Denissovitch

Já tive a idéia de escrever a cada diferente verbo executado pelo meu corpo ou mente o que aconteceu, meio in loco.

É igual ou quase a uma idéia de um cartunista amigo que queria descrever o suicídio de um cara que saltou do alto de um prédio, desenhando todo o desenrolar e queda saltando junto de prancheta e lápis na mão.
Carvão é melhor, ele disse, é mais romântico.

O meu é mais fácil e longo, desde que acordo. Um dia, apenas um.

6:00 ouvir o despertador escandaloso suprimir meu ego
6:01 abrir os olhos e acordar
6:01 dar tapa no freio do despertador escandaloso
6:01 olhar pro teto e entediar-se
6:01 tirar o pé direito da cama rápido pra não ficar enrolando
601 achar os dois pontos um desmotivador para a literatura e suprimi-los
601 pisar no chão
601 tomar posse do espaço abaixo dos meus pés, ali começa minha individualidade, caráter e presunção de dono do mundo - meu mundo (!)
602 sair do quarto no piloto automático

Um dia ainda chego ao banheiro.

Poucas vezes escrevi num quarto de hotel, uma vez foi uma carta que nunca mandei e nem lembro para quem era. Estava no Rio. Foi triste.

Um comentário:

Palavras Vagabundas disse...

Só posso dizer que só saio do piloto automático umas 3 horas depois de levantar.
Dá-lhe Timão!
bjs
Jussara