Falando bem, falando mal - falando

Não existe um propósito. Existe uma ideia e geralmente basta arregaçar as mangas. Não tem essa de fazer bonitinho. Nem de fazer para agradar gregos e troianos.
Nunca conheci nenhum grego ou troiano. Se um dia acontecer de trombar com um ou outro, faço um café e agrado do mesmo jeito. Ou faço um aceno de mão. Ou falo que o time dele é bom e que tem um meia esquerda que é meio preguiçoso, mas resolve.
Geralmente esse papo agrada a gregos e troianos.

Os ruídos estão à disposição. Juntar tudo, misturar alegria e melancolia entre microssegundos silenciosos dá-se o nome de música. Não é tão simples, mas é. Tem sua ciência, seu toque.
Hoje quem me comoveu foi Chico Science. Não que sua lírica cause tal efeito, mas pelo fato de saber que aquela música foi uma das últimas que aconteceram enquanto ele misturava ruídos e nos fazia pensar e dançar.
Pensar e dançar. Frejat gritava essa pra gente e a gente gostava porque era possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Ontem foi um blues ao vivo do Jon Lord, um solo duca no Hammond do bigode. Esse é outro que morreu.
Se eu continuar nesse pique, vou começar a achar que os vivos andam fazendo uma música bem blé.

Sábado assisti/cochilei o The Avengers, com aqueles heróis todos. Foi como se não tivesse assistido nada. Não acrescentou nada. Filminho bocoió, seu. Uma coisa eu sei, todo roteirista de ação adora explodir Nova York.
Alguns filmes nos fazem crescer. Cinema Paradiso é foda. Se a conta do crescimento fosse jogado na altura, eu estaria com vinte quilômetros depois de ver esse filme. Alta Fidelidade, com John Cusack, é a minha vida num universo paralelo. Não o protagonista, mas o balconista, o Jack Black.
Amarelo Manga também é daqueles de coleção na estante.
Filme de ação pra valer é Old Boy, sul coreano. Punk, sem gente que voa e solta rainho.

Posso citar uns 100 filmes legais. Mas os legais-legais sempre são poucos e pessoais.
Ultimamente tem-se produzido fluxo de ar, brisa de transparência. Explosão de nadas no vazio.

O meu medo é a coisa piorar. E isso parece ser o objetivo dos produtores de entretenimento.

Não gosto da frase sou do tempo em que. Não sou do tempo. O tempo é meu. Meu tempo é o sempre, foi ontem e é agora. Amanhã são outros quinhentos. Mas já foi mais fácil divertir-se com as formas mais simples de entretenimento que são a música e o cinema.

Hoje em dia eu ronco no meio desses espetáculos ocos. Deve ser a idade.

2 comentários:

rodrigo tomé disse...

E a Literatura, amigo, que acha? Posso contar nos dedos, mas gosto de alguns escritores brasileiros e gringos. Milton Hatoum, Mia Couto, Philip Roth e JM Coetzee são boas amostras do que tenho lido.

Os filmes do Woody Allen sempre me agradam muito. Em meia-noite em Paris ele ri da cara do pessoal mais "cool" e dá uma lição de como fazer um bom filme e de que algo está errado. Além do Von Trier que conheci recentemente, mas este gosta é do estrago. A abordagem dele é de impacto.

Eu parei em Sin City e Watchmen com super-heróis. Tem filosofia por trás (e por frente) do roteiro.

Na música, concordo plenamente, é quase nula a minha emoção, é um troço tão certinho. Sabe, parece que ninguém mais "erra" na música, são deuses (fracos). Esses dias tava ouvindo The Black Keys, a snoridade é foda, lembra Hendrix e Cream, mas sabe o que é não ter um pingo de emoção e originalidade.

Enfadonho, tanto quanto a palavra 'enfadonho'.

KS Nei disse...

Enfadonho como um pote de mel sem mel.