Mãe, bicicleta e pregadores - nessa ordem


A minha mãe estava na área de serviços lá de casa mexendo nas roupas. Eu não fazia nada de útil nessa época. O bom é que tem época na vida que a gente é bem inútil, coisa entre os 8 e 15 anos pra menos ou pra mais. Nessa época de nada útil, a gente faz coisas inúteis como se fossem as mais importantes do mundo. Tipo jogar botão. Hoje eu acho inútil, mas se colocarem uma mesa e e dois times, jogo até sozinho. Mas não é isso.


A minha mãe estava na área de serviços lá de casa mexendo nas roupas e eu estava por ali mexendo na minha bicicleta. Nessa época, a gente falava bicicleta para a bici. Ela lá entre o tanque e a máquina e eu cá na catraca e nos freios.

Ali no canto havia uma cestinha com pregadores de roupa.

Não sei o que me deu na cabeça e comecei a colocar os pregadores nas costas dela, pendurando na roupa. Vai saber. Preguei a minha mãe em si mesma, uma dúzia ou mais de pregadores como se a roupa tivesse uns três tererês de pregadores.

Passou um tempo e desbaratinei de tudo, bici, área de serviços e tererê na mãe. Não lembro pra onde fui ou o que fui fazer. Um inútil. Não lembro se ela avisou que ia ao mercado - o Mercadão da Cantareira - ou não. Ela foi.

E eu desbaratinado de tudo.

To ali, não lembro onde e aparece a minha mãe com a cara mais p da vida do mundo e a mão cheia de pregadores.

- To indo pro mercadão e onde eu passava, todo mundo olhando. Eu tava me sentindo a gostosona quando a moça me avisou "senhora, tua roupa tá cheia de pregadores".

Comecei a rir e ela também e gargalhamos muito.

Cara, to rindo até hoje.

4 comentários:

Jonas disse...

Que ótima esta história.. :)

Taty disse...

hahahahahahah Coisas de Nei

rnt disse...

asjdhaj, que muito bom! adorei!

Rita Almeida Pinto disse...

Delícia de historinha, Nei