Varal

Um varal precisa de ar,
ar de todos os lados possíveis,
ar que caiba na palma da mão ou aos milhões na ponta de uma agulha,
ar de cara transparente e gosto de nada.
Ar, sobretudo ar.

Um varal bem feito sobe aos céus e faz as roupas dançarem sem música aparentemente audível.
(Nunca se sabe o que toca um varal).

Mas há muita música.
Há dessas bem afinadinhas naqueles sopranos lúdicos com mil sabores de Hortelãs e daquelas que só passarinho esperto tira de ouvido escondido na sombra do bosque.

Varais dançam, despencam, voam, sussurram e são trapézios mágicos para artes tais de outros longínquos sertões.

E/ou locais.

4 comentários:

Rita Almeida Pinto disse...

Queria tanto um sopro forte de vento seguido de chuva aqui neste varal... Sim, porque teu varal eu roubei e trouxe pra mim, tá?
Beijos

KS Nei disse...

Claro! O varal é de todos!

J.F. disse...

Nei,
Os varais andam muito estranhos. Estão tocando músicas em tons maiores, alegres, espelhando esses dias claros e carolentos. No momento, eu preferiria músicas mais tristes dos varais. Músicas em tons menores, com uma porção de bemóis, representativas de dias mais chuvosos, sem tanto calor, com condições melhores para minhas plantas.
Abração.

KS Nei disse...

Longas noites e sinfonias russas, JF.?

Aguarde o outono e o inverno, é o jeito.

Abraços!