Deu nó no dono - deu dó do dono também

As pessoas adoram fotos de bichos e ter bichos.
Também gostam de bichos se acariciando, gatinhos se lambendo, cachorrinhos cuticuti dormindo.
Piram, pulam, vibram, com bichos diferentes se curtindo, tipo chimpanzezinho e pastor alemão, chihuahua e hamster,  dálmatas e patinhos amarelos.
Acham que isso é uma espécie de anti-racismo, um grito pelas liberdades civis, pelos direitos iguais. Isso se chama antropormorfização, na verdade.
Eu também achava que a Táta, minha tartaruga era mal humorada.
Isso funciona porque dá margem a personagens em quadrinhos.

As pessoas deliram, gritam, urram por filhotinhos de toda espécie.

Eu gosto dos vídeos de gatos e cachorros fazendo aquelas besteiras que os donos, entediados com suas humanidades, filmam para partilhar a bestialidade de seus pupilos quadrúpedes.

Aquela do gato gordo que se enfia nas caixas. Ou do cachorrão que arrasta a dona, a mesa, a festa e meia Inglaterra.

II

Todos os dias, no final da tarde, vejo as pessoas passeando com seus cães.

Passeando é eufemismo, na verdade, estão levando os cães pra cagar. E como as pessoas cumprem as regras por aqui, todo mundo carrega uma sacolinha.
O bicho agacha, faz sua graça e o dono recolhe enquanto o cachorro senta e fica olhando o humano de cócoras guardando a merda num saquinho.

Nessa hora me pergunto, quem é dono de quem?

De todos os truques que ensinam aos bichos, cagar na privada seria um tremendo salto evolucionista para caninos e primatas sapiens. Não precisaria nem dar descarga - por enquanto - mas bastaria que o bicho fosse lá e cumprisse com seu dever diário.

De que adianta o cachorro catar elegantemente um disco de frisbee em pleno voo se ele ainda caga em qualquer lugar? Uma coisa realmente compensa a outra?


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