Batman

Bate covarde.
Bate martelo.
Bate omelete.
Bate tambor.
Bate bolo.
Bate prego.
bate punheta.
Bate lata.
Bate a cara.
Bate no poste.
Bate de frente.
Bate de três dedos.
Bate de trivela.
Bate de peito.
Bate de curva.
Bate de chapa.
Bate de jeito.
Bate com gosto.
Bate o sino pequenino.
Bate até virar manteiga.
Bate clara até virar neve.
Bate o reflexo do sol.
Bate o reflexo do sol no espelho.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine na loja de roupas usadas.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine na loja de roupas usadas do outro lado da rua.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine na loja de roupas usadas do outro lado da rua onde moro.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine na loja de roupas usadas do outro lado da rua onde moro com a minha família.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine na loja de roupas usadas do outro lado da rua onde moro com a minha família naquele prédio.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine na loja de roupas usadas do outro lado da rua onde moro com a minha família naquele prédio onde tinha um jardim.
Bate o reflexo do sol no espelho da vitrine na loja de roupas usadas do outro lado da rua onde moro com a minha família naquele prédio onde tinha um jardim e agora não tem mais.
Bate o reflexo direto na minha cara.
Bate o reflexo.
Bate direto.
Bate na minha cara.
Bate covarde.

2 comentários:

Leituras disse...

Robin

Deitado aqui neste divã
Eu lembro muito bem
Um ritual, um ser satânico, animal
Que bem ou mal me fez refém
Sons, assombrações, penumbra
Batmacumba: o tempo ecoa
Sombras de um mamífero que voa

Será pecado, ou tudo bem
O Bem que vence o Mal?
Que foi que eu fiz, será que eu posso ser feliz?
Quem é que diz o que é normal?
Cai a máscara e eis que surge
O dúbio, a dúvida, a verdade
As diversas faces da amizade

O tempo vem lento e vai veloz
No teto a memória intacta
Saiba que eu passei por maus lençóis

Dentro da caverna escura só nós dois
Ai, que dura é a vida dos heróis!

Canção de Fran Papaterra (SP - BR)

André Foltran disse...

Gostei do poema, o ritmo é incrível!