O rio


O rio transbordou borbulhou, a casa voou e a sensação que deu foi de puro riso – o rio - por causa das bolhas, gargalhadas frouxas, férias sem agendas, nem dias nem noites, só idas e vindas e toques de do-in e pétalas e circos, suores por um fio, pelicanos vivos, porcelanas alvas, fios coloridos, filhos coloridos, folhas coloridas, fitas coloridas, fênix colorindo.

O rio correu margens, dezessete afluentes, loucas e ávidas pororocas roucas, Muddy Waters barros, barro, potes de límpida e fresca, a moringa me ensina sobre o céu, as nuvens, a chuva de refrescar a cabeça e a nossa visão distante e contente do fim sem fim do horizonte que não termina para qualquer lado que aponto o dedo que dedilho o pinho e sacudo a bunda rhythm num blues.

O rio por baixo da ponte empurra a sombra e não empurra a sombra e não move nem um palmo de nada, nem ar, nem sereia, nem mãe pai d’água ou a terceira margem de Guimarães que é rósea, o Rosa garoto descabelado compondo versos, linhas, tintas, preces, frestas, vias, cordas, minas, Minas, manos e mimos sob a sábia sombra de tênues retas linhas abusadas.

O rio do homem segurando a coleira, o cachorro – bravo ou manso ou cadela, o homem passeia assovia cantando o Rio que cabe num azulejo ou partitura, que sabe doces e drinks, que se presta pleno aos bons homens de caneta no peito porque o poema está no peito e porque o Brasil não é perfeito, mas é totalmente perfeito e nada lhe é igual e nada merece mais ter um país dentro de si que um ser possível pensando num rio.


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