Ansiedade de catraca

Dorme no sábado com o ingresso no carteira e a carteira na calça e a calça na cadeira e confere a carteira na calça na cadeira pela terceira vez pra ver se o ingresso está lá.
Está.
Escolhe a camisa, vai de branca Batavo, pousa suavemente sobre a calça na cadeira.

Dorme.
Acorda domingo e confere a carteira. Tudo em cima, sempre.
Café da manhã, tv ligada, quer saber se tem alguma novidade no trânsito, no tempo, na vida.
Nada, tudo igual a um céu claro,
domingo de restaurantes lotados,
praças e folguedos, parques e algodão doce.
Churras gargalhada e tulipas lotadas.

Pega o metrô com os amigos e os amigos dos amigos do amigo dos amigos.

Cantoria e batucada, em cada coração o guerreiro do cavalo branco matando o dragão.

Cantoria e batucada e batucada e cantoria.

O Zé, o Migué o Mané, o José, o Miguel e o Manuel. Bandeiras! Alvinegras!
Os remos cruzados no brasão das tradições e glórias mil.
O Gavião. As listras paulistas, a âncora vermelha,

1910

O Sport
o Club
o Corinthians
o Paulista

O coração bate tanto que parece um zunido.
Bate a mão na bunda e encontra a carteira e confere se o ingresso está lá.
Na catraca do nosso estádio municipal o zunido está na velocidade da luz, a garganta está seca,
a cabeça sem dono e sei lá.

Passa pelo funil, o brilho que só o Pacaembu tem entra pela retina e vira um grito que vai durar noventa minutos, noventa séculos, noventa mil gols.

Faz coro ao primeiro canto de guerra que ouve, se ajeita onde dá, agora só quer ver o Timão sair do túnel e a vida, bem, por enquanto, deixa pra lá.

2 comentários:

Camilo disse...

Representa nóis aí, mano!

Vai, Corinthians!!!



Camilo disse...

Bi-Campeão!!!

Kd o post?