Frio dozinfer parte 2

Vento animal vindo de tudo quanto é lado.
Vento sacana que entra no miolo das roupas até encostar na pele e feito navalha de Plínio, corta as carnes sem dó, sem pensar no calor de um mísero palito de fósforo.

Cheguei em casa agora.
Sai do trampo e fui ali no mercado comprar tomate-cereja.


Naquela geladeira-prateleira de queijos e iogurtes e leites e picles e essas coisas, estava quentinho, aconchegante, quase um spa na Bahia.

Tem a parte dos peixes que no Japão é uma prateleira quilométrica e dava até pra pegar um bronzeado e escolher um sashimi de atum.

Geladeira quente, maravilha.

Peguei-paguei o tomate-cereja em copo - comprei porque estava num copo, claro - e saí para o estacionamento, puta merda, congelei de novo.

Não está nevando, nem com ares de geada, nada disso. E também acho que quando neva o frio não é tão intenso, deve ser porque quase nunca neva por aqui e quando acontece a gente fica todo bobo tirando foto.

E desde novembro, no começo desse inverno eu acho que o inferno é um lugar gelado com todo mundo de sunga e blusa de lã molhada com estalactites caindo na cabeça pela eternidade  gelada.

E olha que eu gosto de frio.
Bem, gostava.

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