Cabe um título aqui ainda não

A ideia da grana na mão. A possibilidade da grana na mão. A grana na mão. A grana. Discutir migrações. Povos e povas atravessando fronteiras. Discutir o país em que se vive, que viveu, que nunca viu. Nem discutir. Viver num outro país e nunca aprender o país.

Um Maracanã lotado numa final de copa do mundo. 200 mil pessoas esperando apenas um empate. 1950. Um Maracanã lotado. Lotado e em construção. O pau comendo nas quatro linhas. Obdúlio Varela, Ghiggia e Barbosa. Nomes. Maracanazo. 200 mil.

Duzentos mil brasileiros de todo canto dizendo tchau no aeroporto. Mais de um milhão de abraços no gate, no edge do gate, na frente do gate, dali pra frente, só em frente. Anos 90, anos 0, anos 10. A ideia da grana na mão. A mão. O aperto de mão. O abraço. Um Maracanã lotado de dekasseguis vorazes por felicidade. Dekassegui. Palavra feia. Feia com essas sílabas que não se combinam. Feia. Trabalhador. Pai de família, religioso, alcoólatra, puta, gente de todo tipo, pamonha, todos gostam de pamonhas. Símbolos. Símbolos são tristes, alegres, conformados, solitários. Dekassegui, sua silábica é feia. Eu sou feio, dekassegui uma vez, dekassegui para sempre. Feio e pequeno. A ideia da grana na mão. 12 horas de voo feladaputa apertado, cueca do netinho no vovô. Gado, gado novo. Sons do Brasil. Saudade de tudo, tudo no assovio. 12 horas até a escala. Escala de café fraco, azedo e grátis. O do bom é em dólar, aquele que não tenho. A ideia da grana na mão. A grana, o café. Na mão de quem pode. Sala de fumantes. Saco um Marlboro fedorento e acho que posso ser feliz aqui, ali, lá. Não pude trazer o café fraco até aqui. Proibido comer, proibido beber, proibido fuder.

LA, California e eu pensando que merda eu to fazendo aqui? O paraíso das telas é o cu na realidade.

Ouvindo heavy metal.

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