Fast food

Hoje fui à caixa econômica pra abrir uma conta e a agência estava impenetrável. Olhei lá dentro a muvuca de empertigados dos dois lados do balcão, desisti da fila na escada, não subi um degrau sequer. O mal humor atravessava os vidros blindados de dentro para fora com as cores típicas do mal humor. Depois da greve de quase um mês, as contas atrasadas, a raiva de voltar ao trabalho por conta de promessas sindicais que não aconteceram, imagina os ânimos. Atravessei a rua e sentei numa lanchonete pra devorar um fast. Peguei uma mesa na calçada de frente à fila na porta da agência. Tinha uma gorda na minha frente e ela ainda estava lá, tão gorda quanto antes. Nada contra gordos dentro e fora de filas, mas são um excelente ponto de referência. A gorda lá e eu engordando cá. Pastel de queijo e uma água mineral. Frugal como são as águas e os pastéis, juntos, beiram a indecência gastronômica.

Todo mundo sabe que um fast pede um refrigerante, um suco de frutas ou uma cerva. Os três juntos ou um de cada vez. Mas se eu tomasse uma birra não ia conseguir pedalar de volta pra casa. Não curto suco de frutas que eu não vi na minha feira e refrigerante, no way - não pelo rato recente, mas pela idéia toda. Aliás, mais ratos virão, me parece óbvio.

Qual o problema da laranja alheia se ele vem com casca, desde a colheita? Não sei, mas acredito.

Gosto dessa pastelaria porque o queijo fica por igual no pastel inteiro e não aquela massa salgada e gordurenta no final das mordidas. Além deles terem uns modelos meia-lua, o que não altera o sabor, perde-se dois cantos, mas fica o fetiche boboca. 

A gorda entrou. Ou desistiu. Não vi o destino de suas banhas. Acabei o rango e fui pro meio da praça pitar um palheiro pra pensar melhor. Passou uma gostosa que sabia que era a gostosa daquele promenade dos olhos. Gostosa mesmo, coisa de apresentadora de programa esportivo.

Se ela comer um pastel o jeans não cabe, pensei. 

Se ela comer um pastel e tomar um refri, que fique nua, não reclamo não.

Também pensei na caixa econômica e pensei numa caixa perdulária e que essa deve estar abarrotada de coisas inúteis. Não tão inúteis como são as instituições financeiras. Devia ter tomado aquela cerva pra pensar melhor ainda, como diz Chico Science. 

Agora é tarde, já enchi o rabo de sorvete de flocos e tá dando um bode. 

Semana que vem volto ao banco. Já saio bêbado de casa e por favor, passa de novo, gostosa.



Nenhum comentário: