AQUELA MÚSICA PARA DESISTIR DE OUVIR MÚSICA

Tava ouvindo o Bando da Lua. Eles acompanharam Carmen Miranda nos EUA por um tempo, mas já eram grandes antes dela.

É um sexteto de cordas e percussão e vozes impecáveis. Tocaram entre 1929 e 1955 com várias formações.

Naquela época gravava-se com um único microfone pendurado no teto. Os instrumentos se distribuíam no ambiente do estúdio de acordo com o volume, tudo junto num único take, na raça, no um dois três. E que quatro.

Gravavam orquestras com apenas um microfone.

Diz a lenda que Toscanini estava ouvindo no rádio uma orquestra americana que ele já conduzira antes. Era um concerto ao vivo. Pelas ondas curtas, detectou um dos violinos desafinado. Alguns anos depois, foi convidado a reger tal orquestra novamente. Lá estava o violinista – que tomou uma bronca.

Com todos os ruídos e imperfeições das transmissões de rádio da época, o maestro ouviu o defeito. E tudo captado por apenas um microfone vindo do teto.

Hoje em dia tem tantos filtros entre os perdigotos no microfone e a mesa de som que vinho vira água quando o som chega aos nossos ouvidos. Ou água vira merda.

Com toda essa onda em cima do Justin Bieber, fui ouvir uma música dele no tube. Nunca tinha ouvido, não por querer. Mas fui.

É ruim. Perto de outros pops de cada verão, ele é muito ruim.

Então não vou gastar mais dedo falando dele.

Mas dá pra dizer que a tecnologia tem ajudado muita gente. Se as gravações continuassem com apenas um microfone, nem penicilina teríamos. Nem velcro ou lojas pet.

O foda é coisa ruim e boba. E isso é a maioria do pop. É Justin, é bobinho, é uma merda.


Falou que não vem mais ao Brasil. Deus te ouça.


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