DEZEMBRO, ÚLTIMO



Quatro e meia e desperto com nada. Daquele jeito: porta escancarada, janela arreganhada e o céu lilás dizendo todos nós somos lindos.

Tímidos amarelos em mil tons no fim da rua, no começo do horizonte, lá onde é o mar. E o mar me chama.

Nescafé rápido de microondas arranha a garganta junto com o primeiro trago no paieiro.

Rolê rápido pra Basquiat cagar. Cagou, voltou.

Bike, eu, vento e foda-se. É o mar chamando.

Chego aqui seminu e tudo funciona perfeitamente na alma. A máquina da alma pede esse combustível.

Mar. Sal. A vida é besta sim. Mais besta é um não diante desse tesão.

Diga não que eu vou atrás mesmo assim. Diga sim e tudo bem, nos vemos no ano que vem.

Bike amarrada no poste. Mar pequeno de marolas meninas pedindo meus pés. Toma. Toma meu corpo, toma tudo e deixa a poesia, leva um ano de vida e me dá outro que eu me viro em terra firme. Mãe d’água, amém.


Sete e tantos e a cidade desperta. Estou pronto. 

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